Amigas criam ONG de doação de cabelos para crianças com câncer

Mylene Duarte e Mariana Robrahn são os nomes por trás da Cabelegria

Quando essas duas amigas fizeram um evento no Facebook de ação voluntária nem imaginavam que, seis meses depois, fundariam uma ONG. A publicitária Mylene Duarte e a designer Mariana Robrahn convidaram mulheres a cortarem seus cabelos e doá-los para crianças com câncer. Uma ação simples, mas o engajamento foi tanto que a ideia só cresceu. “O evento foi criado em outubro de 2013, em pouco tempo nós já não tínhamos espaço físico para as doações, em abril foi criada a ONG, foi tudo muito rápido”, diz Mylene.
Hoje a Cabelegria, ONG que visa transformar doações de cabelos em peruquinhas para crianças que fazem quimioterapia, está inscrita no CNPJ 20.000.573/0001-22.
De outubro de 2013 até hoje, as amigas já receberam aproximadamente 15 mil doações de mulheres de todo o Brasil. Hoje, são cerca de 200 doações por dia. Para que todo esse cabelo seja transformado em peruquinhas, a ONG tem como parceira a Andrea Lopes (foto), que as confecciona voluntariamente.
Uma só peruca precisa de cerca de 200g de cabelo,  logo, eles não vêm necessariamente de uma única pessoa. “Tem pessoas que têm cabelo muito fino, outras mais grossos. Cabelos cacheados são mais volumosos, então nem sempre precisamos dessa quantidade toda. O importante é preencher toda a base da peruca sem deixar espaços para que fique bem natural. As doações mínimas, de 10cm, são usadas normalmente para franjas ou para preencher espaços. As crianças gostam mais de cabelos compridos”, explica a publicitária. Muitas pessoas querem saber para quem foi o cabelo doado, não é possível dizer, mas todas as doadoras recebem um certificado, que garante que o cabelo não será usado para outro fim.

 

Maiores dificuldades

Hoje, a ONG Cabelegria depende muito de voluntários e precisa urgentemente de ajuda financeira para que possa ter uma equipe dedicada ao projeto. Apesar de receber bastante doações de cabelos, a confecção das perucas ainda é lenta “O salão Andrea Lopes nos ajuda neste trabalho. Eles são incríveis, mas trabalham de acordo com suas possibilidades e capacidade. A média é de 3 ou 4 perucas por semana. Se nós tivéssemos uma profissional dedicada exclusivamente ao Cabelegria, teríamos essa quantidade por dia!”, avalia a voluntária.
Quem está disposto a ajudar, também será de grande serventia. A ONG faz mutirões para cadastrar todas as doações e conta com ajuda dos voluntários para esse trabalho.

"São só cabelos" 

Hanna Nogueira tinha o cabelo no meio das costas quando soube do projeto no facebook. No final de semana seguinte, cortou os cabelos um pouco abaixo dos ombros. "Eu conheço algumas pessoas que fizeram quimio, e sei que demora bastante tempo para o cabelo crescer depois do tratamento.E quando cresce, ele ainda é ralo. Eu senti que podia contribuir para aumentar a autoestima das crianças. É algo tão simples, são só cabelos", reflete a estudante.
Ela confessa que não foi fácil cortar as madeixas, mas que valeu a pena. "Muda muito o rosto, meu cabelo demora pra crescer, mas tenho certeza que a criança que recebê-lo em forma de peruquinha vai ficar mais feliz", garante.
Além de doar os cabelos, Hanna Nogueira sentiu que poderia ajudar como voluntária "Percebi que a demanda de perguntas na fanpage do Facebook era muito grande e que a maioria das respostas estava no site, falei com as meninas do Cabelegria e me voluntariei a responder as dúvidas", conta.

Corrente do Bem

Luiza teve câncer aos 6 anos. Para ela, raspar a cabeça não foi tão doloroso quanto é para um adulto. "Ela já tinha ido ao hospital, já tinha visto crianças carequinhas e tinha perguntado o porquê, a gente tinha falado que elas tinham tomado um remédio e o cabelo tinha caído", conta a mãe Rose Araújo. 
Depois da primeira quimio, o travesseiro de Luiza amanheceu coberto de fios. Os pais decidiram então contar, com jeitinho, que o tratamento que ela estava fazendo era muito forte e que iria matar sua doença, mas também iria fazer seus cabelos caírem. "Explicamos ainda que ela iria para um local onde nenhuma criança tinha cabelo, ela entendeu bem", diz. Na época, a menina não tinha conciência da doença que ela enfrentava, os pais até pouco tempo imaginavam que ela não entendia o que tinha se passado. "Um dia estávamos vendo um trailler de um filme e ela disse 'Eu sei o que é ter câncer, é muito difícil, eu já tive´, aquilo nos surpeendeu", confessa a mãe.
Apesar de ser muito criança, Luiza sofreu preconceito ao voltar à escola_ um ano depois do tratamento_ de cabelos muito curtos. "As crianças perguntavam se ela era menina ou menino... Mas ela tinha uma amiga muito querida, isso ajudou nessa fase que, apesar de tudo, foi rápida. Ela logo se enturmou", relembra Rose.
Hoje, com 10 recém completados, decidiu doar os seus cabelos para crianças que, como ela, não entendem muito o que está acontecendo. A ideia foi dos pais, mas ela topou na hora. 

Motivos de orgulho

O primeiro passo está dado. Muitas pessoas se sensibilizaram com a causa e diariamente enviam doações de cabelos “Nosso trabalho é muito gratificante! A maior conquista é levar sorriso às crianças. É incrível esta sensação de dever cumprido e, a cada peruca entregue, isso se renova”, testemunha Mariana.  A parceria com o salão Andrea Lopes foi outra conquista importante para a ONG “Ela nos ajuda totalmente sem custo. Todos os outros salões que nos propuseram parceria ou nos cobravam ou queriam uma quantidade de cabelo em troca”, revela Mylene. A última conquista, porém não menos importante é a divulgação desse trabalho. Com ajuda dos seguidores do Facebook, a Cabelegria esteve em vários canais e foi, inclusive, ao programa Caldeirão do Hulk (confira matéria aqui).

Para o futuro: sede própria e mais perucas

Mylene e Mariane sonham que a Cabelegria seja um banco de perucas “Queremos ter a nossa sede, com a produção das perucas maior e mais rápida e assim poder atender não só crianças, como mulheres também em todo o Brasil! Onde os pacientes possam visitar a nossa sede e escolher o cabelo com o qual mais se identifique ou, aqueles que estão em tratamento, possam escolher através de um tipo de catálogo a sua peruquinha”, dizem as amigas.
Outro projeto para o futuro é ter um serviço de manutenção das perucas_ “Com o tempo, os cabelos podem ir soltando”, observa Mylene_ e oferecer cursos de confecção de perucas. Uma oportunidade de aprender uma nova profissão e de trabalhar como voluntária em prol dessa causa da Cabelegria.  

Como doar meu cabelo?

Para poder doar, o cabelo precisa ter no mínimo 10cm.
São aceitos qualquer tipo de cabelo, mesmo com tintura ou química.
Basta enviar para o endereço: Avenida Parada Pinto, 3420, Bl. 06, Ap. 33 Vila Nova Cachoeirinha - São Paulo – SP CEP: 02611-001
Os certificados serão enviados para o mesmo endereço do remetente. Caso enviem mais de uma doação no mesmo malote, é preciso identificar os nomes de cada doadora.
Conheça o site do Cabelegriaclicando aqui e conheça a página da ONG no Facebookclicando aqui

 

Como ajudar financeiramente?

Para fazer sua contribuição financeira, basta depositar na conta da Cabelegria. Banco Itaú
Agência: 0445
Conta Corrente: 39813-4
CNPJ: 20.000.573/0001-22