A moda do Mustache

Você já deve ter visto, por aí, alguém usando um pingente, um anel ou uma presilha de cabelo em formato de bigode. Nos homens, é comum encontrar o desenho estampado em camisetas. Essa é a moda mustache. O famoso bigodinho começou seu sucesso no mundo virtual e se transformou em uma verdadeira mania, no mundo inteiro, quando o assunto são acessórios. Mas, você sabe como essa moda começou?






















As mulheres sempre cuidaram mais do corpo. Sejam cuidados puramente estéticos ou relacionados à saúde, elas sempre se preocuparam mais com essas questões do que os homens. É consenso entre as instituições ligadas à saúde: o homem sofre mais, adoece mais e vive menos que as mulheres. Na raiz disso, estão comportamentos históricos, puramente culturais. Mas, o bom é que, ano a ano, essa proporção vem se equiparando, o homem está, finalmente, se preocupando com sua saúde.
Pesquisas começam a apontar o que os médicos já sentem nos consultórios: que os homens têm ido cada vez mais e em maior número. Eles estão se preocupando mais com a saúde, comendo melhor e fazendo mais exercício. Mas, um assunto ainda é tabu entre homens, apesar de toda essa mudança de comportamento: o câncer de próstata. Ele é o tumor que mais afeta os homens com mais de 45 anos e o segundo que mais mata entre todas as faixas etárias, só perdendo para o de pulmão. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que, a cada dia, sejam registrados 128 novos casos.
É uma média muito alta, considerando que, quando detectado e tratado a tempo e de maneira adequada, o índice de cura do tumor pode chegar a 90%. Essa estatística se deve muito ao preconceito que ainda ronda os exames preventivos, em especial o exame retal ou “de toque”, como é popularmente conhecido. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia com 1.061 homens na faixa etária entre 40 e 70 mostrou que apenas 32% dos homens fizeram o exame de toque retal, apesar de 76% saber que o exame é usado para detectar o câncer de próstata.
Contra essa estatística, só há uma arma: a conscientização. Nesse cenário, uma campanha lançada em 2003, na cidade de Melbourne, na Austrália, vem mudando a cara da saúde masculina no mundo todo. Tudo começou meio como uma brincadeira entre um grupo de amigos que, conversando sobre algumas modas do passado, decidiram usar bigodes novamente. O mês em que essa “moda” voltou à tona no grupo era novembro e, assim, a cada ano, sempre no mês de novembro, os membros do grupo raspavam a barba e deixavam apenas o bigode.
Mas, o que começou como uma brincadeira ganhou um conceito nobre: conscientizar os homens para os cuidados com a saúde, em especial, com o câncer de próstata. Foi em cima dessa ideia que foi criada a organização Movember (“Mo”, de moustache, mais “vember”, de november, que foi o mês que a campanha foi lançada). O termo “Mustache” vem do inglês americano, ou “moustache” que é do inglês britânico, que significa “bigode”.
Então, desde 2003 a organização promove e apoia campanhas que aumentem a consciência sobre a saúde masculina. Para levantar fundos para as campanhas, o movimento recebe ajuda de apoiadores, conhecidos como Mo Bros (Rapazes com Bigode), que funcionam como cartazes ambulantes da campanha durante os 30 dias de novembro. A ideia é que eles deixem o bigode crescer ao longo do mês e busquem patrocínio para essa manutenção.
Atualmente, a Movember dirige campanhas oficiais na Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Irlanda, EUA, Canadá, África do Sul, Finlândia, Holanda, Dinamarca, Noruega, Bélgica, República Checa, Espanha, Hong Kong, Singapura, França, Alemanha, Suécia, Suíça e Áustria. E foi justamente para arrecadar fundos para as campanhas que os bigodes começaram a sair dos rostos dos homens e ganharam o mundo, literalmente. No Brasil, apesar de ainda não ter um grupo oficial de Mo Bros e Mo Sistas registrado no Movember, os “bigodes” dominam acessórios, principalmente do universo feminino, como colares, anéis, pulseiras, canecas, capas de celulares e muitos outros.
A blogueira Stefania Costa aposta no uso do Mustache como acessório
Ele está presente também no mundo virtual, basta acessar o buscador de redes sociais como o Pinterest ou Instagram para ver o mustache por todo canto. Mas, por que será que esse elemento tão marcante do universo masculino tem feito tanto sucesso entre as mulheres? Para a blogueira de moda Stefania Costa, mesmo sem saber a origem dessa moda, a imagem bem humorada e marcante do mustache acaba agradando as pessoas, inclusive em Belém. “Já vi pessoas usando os “bigodinhos” em roupas, acessórios para celulares, calçados e até mesmo nas unhas”, conta Stefania. Apesar de ser um ícone masculino, o Mustache entra para a lista das vestimentas que são adotadas pelas mulheres, “Hoje em dia as mulheres pegam várias coisas “emprestadas” do guarda-roupa masculinos! O mocassim, por exemplo, que antes só era usado por homens virou febre também entre as mulheres”, diz a Bloggueira que, além de usar acessórios com o mustache, já vendeu bastante. “O meu blog (conteudofutil.com) tem um loja virtual que tinham disponíveis anéis e colares com o mustache, foram as peças que se esgotaram mais rápido”, completa.