O que é uma mulher com câncer?



O que é uma mulher com câncer?

March 8, 2017

 O título pode até parecer dramático, mas é só para poder compartilhar um pouquinho das minhas aventuras com vocês, tá?

Não gosto muito usar o blog para falar sobre isso, mas hoje, Dia da Mulher, acredito que posso ajudar muitas pessoas pensarem sobre o assunto.

Vamos juntos?

Bom, acredito que Deus é capaz de fazer grandes coisas.

É o que hoje digo com toda convicção do mundo.

Quando Ele quer, tudo muda de lugar, tudo se transforma, tudo se cria.

O que era impossível torna-se possível.

Há um ano, quando comecei sentir os primeiro efeitos da doença, já sabia que não seria fácil.

Com o meu 1,60 de altura, me vi gigante diante da doença.

Meses depois, descobri que eu enfrentaria um câncer, que foi diagnosticado no seu início.

Sou voluntária de pacientes com câncer há mais de 15 anos e do nada, acabei me vendo personagem do outro lado.
  
Não sei se foi mais leve receber o diagnóstico, mas foi bem mais prático entender e enfrentar os obstáculos ocasionados pelo câncer.

Tenho pavor quando ouço alguém  banalizar o câncer.

Todo câncer é uma tragédia e vai desafiar você. É sério!

Posso dizer que você não sabe do que ele é capaz de fazer contigo.

Você pode ter dinheiro ou não, mas ele vai te desafiar.
 Ele te desanima, te faz sentir dores horríveis, acaba com toda e qualquer autoestima.

Ele insiste em dizer que você é fraca e que a qualquer momento, ele vai te vencer.

Por outro lado, você precisa ser sábia e lutar, lutar sem medo, buscar força lá no fundo e acreditar que você é gigante e vai vencê-lo.

No meu caso, a minha vida é outra depois da doença.

Sem nenhum drama, digo que o meu cabelo caiu muito, os fios que sobraram, acreditem, ficaram ressecados.

A minha pele ficou sem vida, as unhas quebram diariamente, o apetite e o humor ficaram descontrolados, sinto sono feito a “Bela Adormecida”,  sinto um cansaço absurdo, é como se eu estivesse correndo uma maratona em pleno deserto.

As dores foram embora depois da cirurgia feita no ano passado. De vez quando, elas aparecem fortes, mas logo vão embora.

Em pleno 2017, pasmem,  ainda existem pessoas ignorantes, que por não terem informações, se julgam no direito de nutrir um pré-conceito com paciente com câncer.

Eu, Lu,  ouvi por diversas vezes, que eu era uma “enferma”, que não teria tempo para viver novos sonhos.

Como assim?

Pois é, até por ser doente, você pode ser atingida pela ignorância humana.

Em situações com essas, acabava me sentido ainda mais gigante e pensava assim: “Posso morrer de beber os bons vinhos, mas nunca de câncer”. Hahahahaha
 Com as grandes mudanças no humor, teve dias que me senti bem triste. Como sou órfã de mãe desde os meus 10 anos, os desafios não foram fáceis.

Uma mãe nessa circunstância pode fazer total diferença.

Acho que aquela Lu de antes não existe mais.

Na verdade, bem na verdade, acredito que me tornei uma mulher mais forte.

Enfrentar uma doença, por menor que ela seja, é sempre um grande desafio.

Desde o começo, de forma muito ousada, tenho tentado driblar toda e qualquer armadilha da vida, focada no trabalho.

Por eu estar enfrentando uma doença, muitos acreditam que não posso trabalhar. Pelo contrário, não parei um dia.

Existem dias que o sufoco é maior, mas a gente se reinventa, né?

Diante de todo o caos, acredito que podemos tirar uma grande lição.

Eu sempre vivi intensamente, agora vivo todos os dias como se fosse o último.

Já não me estresso com coisas tolas, não gasto energia com gente egocêntrica e me permito viver ao lado apenas de pessoas com energia boa, capaz de me fazer sorrir.

O que tenho aprendido com tudo?

Que tenho vocês ao meu lado, que tenho amigos queridos, pessoas especiais e uma família muito amada por mim.

O que ganhei no último ano?

Ganhei novos amigos, mais carimbos no passaporte (a vida pode ser uma viagem) e o melhor de tudo, ganhei mais vontade de viver.

Agora falta pouco para terminar com tudo isso.
 Sou acompanhada por médicos libaneses-brasileiros. Eles são incríveis, gente!

Doutor Roberto Elias e doutor Aref Muhieddine são os anjos que Deus me mandou. #recomendo

Confesso ser uma paciente rebelde, mas não me esqueço de tomar os meus remédios todo o santo dia. Juroooo!

E hoje?

Hoje sigo trabalhando, viajando, lendo bula de remédio, procurando os melhores hidratantes para o cabelo e pele, bebendo muita água, os bons vinhos, me divertindo absurdamente e colecionando amizades.

Repito, se eu morrer, que seja de amô e nunca por uma doença.

Na vida há sempre pedras de tropeços, mas Deus te faz forte e te coloca no topo.
Ainda bem que nunca fui uma mulher de pouca fé!!!

Gratidão é o que temos para hoje.