Independente de talento, ‘fazer arte’ reduz o estresse

Pintar fora ou dentro das linhas, tanto faz. 
A expressão artística livre tem efeitos positivos para o corpo e a mente



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Lápis de cor, canetinha, glitter, tinta, massinha de modelar... não se assuste se a próxima receita antiestresse do seu médico for parecida com uma lista de materiais da pré-escola. Uma nova pesquisa realizada pela Universidade de Drexel, na Filadélfia, mostrou que ‘fazer arte’ reduz significativamente os níveis de cortisol, hormônio que desencadeia o estado psicológico alterado e desagradável que caracteriza o estresse.
Os resultados do estudo, publicados na revista da Associação Americana de Arteterapia, mostraram que os efeitos positivos são os mesmos tanto para quem demonstra habilidade com a arte como para quem não têm talento algum. Portanto, se a sua produção artística não evoluiu muito desde o tempo em que suas ‘obras’ eram exibidas na porta da geladeira de seus pais, não tem problema. Bastam 45 minutos por dia dedicados à criação artística para ajudar a reduzir o estresse do corpo.
“Essa é a ideia central da arteterapia: todo mundo é criativo e pode se expressar com as artes visuais quando trabalha em um ambiente propício. No entanto, o esperado era que talvez os efeitos fossem mais fortes naquelas pessoas com experiência prévia”, afirmou o professor de Arteterapias Criativas da Universidade de Drexel, Girija Kaimal.
Quem já está acostumado a usar a arte como escape não se surpreendeu com a comprovação científica do experimento.  A jornalista e doutoranda Juliana Teixeira encontrou no desenho uma forma de aliviar o estresse na época pré-vestibular, que costuma ser desgastante para a maioria dos estudantes. “Eu ia para a aula de manhã e estudava à tarde. Então à noite ou no fim de semana eu me dedicava ao desenho”.  
Se as horas dedicadas ao desenho resultariam ou não em uma bela composição, nunca foi sua preocupação. Suas canetinhas, lápis e papeis sulfites tinham finalidade terapêutica. “Para mim, desenho e pintura são formas de desligamento. Naquela hora, ali, eu me dedicava só para aquilo e esquecia de todo o resto.” Ainda assim, a prática frequente aprimorou a sua técnica. A evolução de seus desenhos acabou sendo um bônus da terapia.
Para a arteterapeuta e pedagoga Aline Barcelos, a expressão artística é uma necessidade muitas vezes reprimida pelas pessoas, pela falta de tempo ou espaço. “O desenho, a pintura, bem como outras tantas outras técnicas e linguagens artísticas podem facilitar a consciência desses fatores reprimidos e procurar soluções para o que nos cansa e estressa. O contato com os materiais e com o nosso silêncio facilita o relaxar mental e emocional, além de possibilitar a transformação na arte e dentro de nós, de forma quase dialética”, explica.
A onda dos livros de colorir
Febre entre os adultos, os livros de colorir estiveram entre os mais vendidos no ano passado. Os best-sellers, que estampavam nas capas as palavras “antiestresse” e “arteterapia”, fisgaram o público mais velho com a promessa de “relaxamento”. Mas, apesar do sucesso, para muita gente os tais passatempos tiveram um efeito contrário.
“Eu me estressava mais”, conta Juliana, que também aderiu à moda. Os desenhos repetitivos e cheios de detalhes tornaram a atividade maçante para a jornalista. Assim como ela, muitas outras pessoas tiveram reações semelhantes em relação aos livros do gênero.
A arteterapeuta explica que por ser uma forma de expressão “engessada”, é normal que esse tipo de atividade artística não traga efeitos terapêuticos. “A Arteterapia é a expressão livre; já os livros de colorir, que podem ser um passatempo, não dão a possibilidade de criação, de transformação. Muitas pessoas, em vez de relaxarem, ficam nervosas por se tratar de algo mecânico e repetitivo”, conclui.





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