DE MEDICA À PACIENTE



Hoje é o dia do médico!!! Eu tenho um super carinho por todos os médicos que me acompanham, confio muito neles e sei que eles fazem a diferença na minha vida!
E nesse dia, que tal conhecer uma figura inspiradora? A doutora Fabíola Torres é médica, e também paciente! Ela conta sobre sua experiência no blog dela:
O que acontece quando quem atende e ajuda pacientes com câncer e é diagnosticada com a doença?
Eu sou uma médica que trabalha com crianças em uti pediátrica oncológica. Nessa hora, confesso que pensei, “Não vejo como isso me afetou” com relação ao câncer. Porém, quando pensei mais profundamente, percebi algumas coisas que ainda não tinham passado pela minha cabeça a ponto de me preocupar.
Como intensivista, passei mais de 16 anos da minha vida entre apitos de aparelhos, luzes, tubos, cateteres, etc. Terminei meu mestrado nesse ano sobre fatores de risco relacionado a infecções de cateteres venosos centrais. E há cerca de um ano publiquei um livro sobre emergências oncológicas em pediatria. Tudo isso significa, por exemplo, que conheço segredos sobre meu diagnóstico de câncer… Conheço-os, antes de você.
No entanto, quando  fui diagnosticada com câncer de mama há 3 meses, bloqueei todo esse conhecimento. Recusei-me a interferir em  quaisquer informações ou conduta. Eu sei como são os tumores e como se formam. Mas, como é que informações como essas poderiam me ajudar? Em nada. Quem pode me ajudar são meus médicos.
O que eu nunca fiz foi perguntar como vocês já sabem  “por que eu?”. Talvez seja por causa de todas as sequências de DNA “erradas”. E sabemos que todos os dias milhões de lugares podem potencialmente sofrer mutações, então eu sei que a pergunta mais pertinente seria: “por que não eu?”
Tenho orgulho de ser parte de uma equipe por trás das linhas inimigas do câncer, ajudando a combater suas complicações em um momento em que os pacientes estão tão fragilizados e precisando de grande apoio e interferência imediata, sem a qual a sobrevivência seria impossível. Tenho orgulho em ser intensivista. Cuidar de famílias afetadas pela doença, para que, possamos trazer de volta, seus filhos após a vida estar por um fio, como é na UTI. Eu sei os numerosos controles e cuidados diários que temos de fazer para cada resultado de cada paciente dentro da UTI, antes de ser liberado de alta para a família.  Imagino a família, sorrindo com alívio, levando seus filhos para casa.
Quando recebi o meu diagnóstico de câncer, as coisas com as que não me preocupei, foram:
•    As drogas irão funcionar?
•    O cirurgião saberá o que está fazer?
•    Será que minhas amostras serão extraviadas?
•    Fizeram o diagnóstico correto?
.     Vou sobreviver?
Como médica, eu sei que, obviamente, as coisas podem e dão errado. Mas, trabalhar em um hospital de referência para o câncer, mostrou-me que cada pessoa trabalha de forma extremamente dura para os pacientes, expandindo as técnicas a medida que novas tecnologias estão disponíveis, tudo isso também para ter maior conhecimento e experiência para futuros pacientes.
Agora, como uma paciente com câncer, me sinto afortunada por estar vivendo em um mundo cheio de conhecimento científico. O duro trabalho dos funcionários do hospital foi o que ajudou a tornar mais fácil a minha experiência: o médico oncologista que faz uma pesquisa extra para descobrir se um caso apropriado é para a terapia de reposição hormonal, a enfermeira que é especializada em oncologia e sempre chega sorrindo, a técnica da ressonância que admira o meu esmalte de unha (rsrs), as voluntárias de rosinha que todos os dias da quimioterapia vêm trazer balinhas, meu mastologista tão, mas tãoooooooooooooo experiente e ainda um geneticista super nerd estudando todos os DNAs da minha vida. Rsrs
Eu fico sempre muito surpresa  sobre o quanto nossos corpos são capazes de lidar com a quimioterapia, radioterapia e cirurgia. A gente aguenta mesmo as bombas, viu gente?
Claro, que existem dias chatos. Como quando a pele fica horrorosa. Mas aí a gente vai fazer um make com a Ari lhennnda lá no cKamura e aproveita para fazer um trato na prótese capilar enquanto o laser da Dra Daniela Pellegrino faz efeito. E tudo fica bem. vejam as fotos. Make é vida.
Espere e aceite os dias ruins. Acredite, você passará por eles. Você sentirá medo e ansiedade apenas ao  pensar na possibilidade de recidiva. Mas, lembre-se, ter um dia ruim e ficar emotivo não significa que não esteja curtindo sua segunda chance na vida, significa apenas que é humano. Sinta o que sente no momento e não deixe ninguém lhe dizer como você deve se sentir. Elabore um plano para o que fará nesses dias ruins — talvez comer sua comida favorita com seu melhor amigo, fazer uma viagem ou assistir seu filme preferido. Crie o “plano de emergência do dia ruim” isso poderá garantir que sempre terá um lugar para voltar.
E lembre-se, lindo mesmo é o corpo e o espírito, que continuam…
ccb4cd_1c2ec0412cea43fe88248172131cc364mv2_d_1446_2177_s_2