Tecnologia: como a Alemanha usou big data para vencer a Copa do Mundo

Big data torna possível que empresas e governos 'prevejam' o futuro



Demonstração de um centro de monitoramento para linhas aéreas em Hannover, na Alemanha

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EULINA OLIVEIRA
Imagine que você entrou numa loja de eletrodomésticos e em instantes um vendedor lhe oferece uma geladeira exatamente como a que você pesquisou na internet pouco tempo antes. Ou que uma prefeitura possa antecipar em três dias, com precisão, o risco de desabamento de uma área. Ou uma empresa que aumentou a previsão de demanda de um determinado produto com base em dados estatísticos coletados em tempo real, elevando sua participação de mercado.
Todas essas situações são possíveis com um fenômeno que vem ganhando cada vez mais força no mundo dos negócios e também na esfera governamental: o big data. Com um volume cada vez maior de dados disponibilizados na internet, por meio da navegação e postagens em sites, blogs, redes sociais —chamados de dados não estruturados—, empresas de tecnologia desenvolveram sistemas capazes de capturar esses dados e analisá-los.
Criou-se, desta forma, uma ferramenta importante para definir os próximos passos de uma companhia, em diversas frentes: em relação a seus clientes, seus funcionários e a seu próprio funcionamento, ao reduzir custos e riscos e melhorar processos.
Rodrigo Capote
Legenda: Centro Tecnológico do Itaú, em Mogi MirimCrédito: Rodrigo Capote/Folhapress/// digitalização
Centro Tecnológico do Itaú, em Mogi Mirim (interior de São Paulo); investimento de R$ 3,3 bilhões
“Antes do advento do big data, os executivos tomavam decisões principalmente com base em seus sentimentos; agora, essas decisões passam a ser baseadas em dados”, afirma Celso Poderoso, coordenador dos cursos de MBA da faculdade de tecnologia Fiap.
A companhia aérea TAM, por exemplo, já investe na ideia. Um dos usos que a empresa faz com o big data é nas operações de manutenção de aeronaves, que começou em 2013.
Utilizamos séries históricas de dados de manutenção corretiva e preventiva combinados com ferramentas de estatísticas para projetar a demanda futura por esses serviços”, explica Mauricio Pascalichio, gerente sênior do Centro de Controle de Manutenção da TAM.
Com o big data, a companhia aérea consegue planejar, com uma antecedência de 18 meses, a mão de obra e o material necessários para os serviços de manutenção, evitando desperdícios. “Esse planejamento com big data tem um índice de precisão de 98%, e o aumento da produtividade é de 11%”, afirma Pascalichio.
O Itaú Unibanco investiu R$ 3,3 bilhões em um novo centro tecnológico, localizado em Mogi Mirim (SP). Inaugurado em março deste ano, o centro possui tecnologia para processar e aplicar inteligência de negócio num ambiente de big data. Um dos objetivos é entender o comportamento dos produtos e serviços.
“Com o desenvolvimento da computação em nuvem, as empresas não precisam dispor de grandes servidores para armazenamento de dados, o que torna o big data bastante acessível a empresas de todos os tamanhos”, Sergio Fortunalíder de Big Data-Analytics da IBM Brasil.

BIG DATA

Ilustração para big bata
O QUE É?
O termo big data, que pode ser traduzido do inglês como “dados grandes”, se refere à coleta e análise rápida de informações digitais, geradas por cadastros em sites, lojas, compras com cartões e redes sociais
QUEM USA?
Empresas e governos, para tomar decisões estratégicas com mais confiança. Isso pode significar maior eficiência operacional, redução de riscos e custos, e auxílio no combate à criminalidade, por exemplo
COMO USAR?
Fazendo a organização, o cruzamento e a interpretação dos dados selecionados
RISCOS
Um dos maiores riscos do uso do Big Data é de os consumidores sentirem que sua privacidade foi invadida. O compartilhamento de dados dos usuários obtidos por uma empresa com seus parceiros é outra questão polêmica

7 a 1

Gols da Alemanha contra o Brasil na Copa do Mundo de 2014
NO ESPORTE
A seleção alemã de futebol desenvolveu junto com a empresa SAP a solução Match Insights, que analisa inúmeros dados de treinamentos e situações de jogo para melhorar o desempenho do time. A tecnologia foi usada durante a Copa do Mundo em 2014.



Fonte: Folha de São Paulo