QUAL É A LIGAÇÃO ENTRE DIABETES E O CÂNCER?

Qual é a ligação entre diabetes e o câncer?

Diabetes e câncer costumam aparecer juntos com mais frequência do que o esperado, mas os estudiosos ainda não chegaram ao consenso de que as duas doenças estão ligadas de forma direta. De modo que ainda não está claro se o diabetes influencia no risco de desenvolvimento de câncer ou não.
Existem estudos que ligam casos de diabetes exclusivamente com portadores de câncer de fígado, rim, pâncreas, endométrio, colorretal, mama e bexiga.
Alguns estudos sobre índice glicêmico e câncer sugerem que uma dieta rica em alimentos com índice glicêmico alto podem aumentar o risco de câncer, particularmente em indivíduos com excesso de peso e/ou sedentários. Tanto o excesso de peso quanto a falta de atividade física estão associados ao aumento do risco de resistência à insulina, já a alimentação com alto índice glicêmico tem sido associada ao aumento do câncer de fígado, colorretal, pâncreas, mama, endométrio e ovário.
O que alguns estudiosos falam:
“A tendência é que o diabetes tipo 2 associada a níveis elevados de insulina é o maior problema relacionado ao risco de câncer. Mas não é apenas o diabetes tipo 2, ele acrescentou, esta ligação é evidente para todos com pré-diabetes, que é um grupo muito maior”, disse Michael Pollak, professor do Departamento de Oncologia e diretor do Cancer Prevention Research (Pesquisa de Prevenção ao Câncer).
Pré-diabetes é uma condição que aumenta o risco de desenvolver diabetes. A hiperinsulinemia, excesso de insulina no sangue, é um sinal de pré-diabetes. As pessoas podem não estar cientes que eles têm pré-diabetes durante anos antes de os sintomas e o aumento dos níveis de glicose resultem em um diagnóstico de diabetes.
A hiperinsulinemia, o diabetes tipo 2 e o câncer compartilham um importante fator de risco: a gordura corporal elevada. Segundo relatório do AICR (Instituto Americano de Pesquisa para o Câncer), foi descoberto que a gordura corporal elevada é diretamente ligada ao aumento do risco de diversos cânceres.
As alterações hormonais estimuladas pela alta gordura corporal podem estar levando ao aumento do risco de câncer e diabetes tipo 2. A hiperinsulinemia também poderia atuar independente da gordura corporal para aumentar o risco de câncer. Sabe-se que muitos tumores têm receptores de insulina e pesquisas sugerem que a insulina desempenha um papel importante no câncer, mas ele não tem que ser um link direto. No entanto, a insulina, que estimula a proliferação e crescimento de células, parece ser um dos mediadores chave.
Em um estudo recente, foi descoberto que as mulheres diagnosticadas com diabetes tiveram uma chance 50% maior de desenvolver câncer colorretal do que as mulheres sem a doença. Os pesquisadores se basearam em dados de aproximadamente 45.000 participantes de um estudo que começou na década de 1970. O estudo analisou dados sobre as mulheres sem histórico de câncer colorretal ou diabetes autorrelatado por oito anos, que posteriormente desenvolveram câncer colorretal.
Em alguns casos em que há apenas um elo entre moderada resistência à insulina e o risco de câncer, existe uma forte relação com o câncer se comportando de forma agressiva e recorrente. Um estudo envolvendo cerca de 600 pacientes com câncer de mama pós-menopausa, junto com outros hormônios, a insulina foi medida no momento do diagnóstico e dez anos mais tarde. Os pesquisadores descobriram que os participantes obesos que tiveram os mais altos níveis de insulina no momento do diagnóstico mostraram aumento significativo do risco de recorrência da doença.
Pesquisas laboratoriais estão investigando como a insulina pode afetar a inflamação crônica, que é associada com a incidência de câncer e seu crescimento. Os cientistas estão trabalhando na relação entre obesidade, hiperinsulinemia e o risco para o câncer. A investigação também está olhando para a susceptibilidade genética das pessoas.
Podemos concluir que os maus hábitos alimentares, o excessivo consumo de calorias e uma vida sedentária contribuem diretamente para o desenvolvimento do diabetes e para os riscos relacionados ao câncer.
A Associação Americana do Coração sugere limitar açúcares adicionados em 25g/dia (6 colheres de chá) para mulheres e 37g/dia (9 colheres de chá) para homens. Além disto, a dieta balanceada e a atividade física devem ser constantes na vida das pessoas.