Aparelho que permite que cadeirante fique de pé é usado em hospital no ES

Por Gabriela Ribeti
Os pacientes de ortopedia e neurologia do Hospital Santa Casa, em Vitória, que andam de cadeiras de rodas vão ter a oportunidade de fica em pé. O aparelho ‘Up Rose’ chegou ao estado nesta segunda-feira (13) e será objeto de pesquisas médicas. O custo do aparelho é de R$ 16,9 mil o adulto e R$ 14,5 mil o infantil.
O aparelho ‘Up Rose’ foi criado por Rosana Antunes de Souza para melhorar a vida da mãe, a Rosa, que ficou paraplégica após um acidente automobilístico em 1991. Sem nunca ter cursado engenharia, o amor foi a grande motivação para a invenção.
“No acidente, ela fraturou três vértebras da coluna e ficou com uma série de sequelas irreversíveis. Eu tinha o sonho de vê-la de pé. E através de várias técnicas adquiridas na infância e na adolescência eu prototipei e o ‘Up Rose’ e consegui colocar ela de pé”, contou Rosana.
O Jeferson, que ficou preso a uma cadeira rodas depois de ser baleado, há um ano e meio, contou que a experiência de usar o aparelho é renovadora para as pessoas que vivem nessa condição.
“O aparelho possibilita voltar a essa posição de pé. Eu já tenho mais essa facilidade, mas para outras pessoas é uma possibilidade completamente renovadora. Que é conseguir ter o contato com outra pessoa olho a olho, a possibilidade de voltar a ficar de pé”, relatou.
O aparelho será utilizado na reabilitação de pacientes capixabas. O clínico e cirurgião Flávio Kataoka explicou que além de elevar a autoestima e de dar outra perspectiva ao cadeirante, o equipamento também contribuiu de diversas formas para a saúde do paciente.
“A nossa ideia é fazer pesquisa com pacientes que têm lesão neurológica e muscular. Na Santa Casa será com pacientes de quadros agudos, como derrames e acidente vascular cerebral (AVC), e na reabilitação de pessoas que estão no tratamento fisioterápicos. A gente também prevê melhora na parte pulmonar e na reabilitação postural”, afirmou o médico.
Depois de 25 anos em uma cadeira de rodas, a Vilma Ramos pôde ficar de pé novamente. “Depois de muitos anos sentada, é diferente ficar de pé com o corpo espichado. Dá a sensação de que esta voltado a andar de novo”.
O aparelho funciona por controle remoto e tem seis comandos. Ele pode andar na horizontal, vertical, diagonais e girar 360º. Também poderá ser usados por pessoas tetraplégicas, através de acessórios que permitem aos médicos defiinr o uso a partir da necessidades de cada pessoa, colocando-a em uma postura adequada.
Testado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) por oito meses para avaliar o desempenho e segurança contra quedas de usuários, o aparelho é ajustável ao peso e a altura da pessoa. O tratamento de acompanhamento é feito pelo Sistema Único de Saúde. O equipamento tem possibilidade de financiamento pelo banco do Brasil.
Invenção
Rosana explicou que foi o amor pela mãe que motivou a invenção. Ela usou a curiosidade e conhecimentos adquiridos na infância e adolescência. Foi de uma brincadeira de infância, de mergulhar em tambor de plástico azul, que ela pensou na estrutura do aparelho.
“Eu aprendi a costurar com oito anos, o que me deu experiência com fita métrica e noção do corpo humano. Eu sempre fui uma pessoa muito curiosa, observava a farmácia de homeopatia do meu pai. Minha família também trabalhou no ramo de fabricação de móveis e de arte, fazendo com que aprendesse a usar as ferramentas, que herdei depois do meu avô”.
A parte elétrica, Rosana aprendeu por observação ao desmontar aparelhos de rádios. O primeiro protótipo que deixou a mãe de pé, lançado em 2009, andava apenas para frente. “Eu queria um equipamento que pudesse andar em todas as direções, por isso contratei uma empresa de software”.
Inicialmente o aparelho não seria comercializado, mas por apelo de médicos e cientistas para o uso e tratamento de pessoas com doenças neurológicas e problemas ortopédicos, Rosana decidiu levar o processo adiante e deu entrada na licença da Anvisa e de patente, que resultou em um período de espera de cinco anos para que o produto fosse aprovado em todos os órgãos de fiscalização.
Fonte: A Gazeta
Inovação tecnológica permite que cadeirantes fiquem de pé, no ES (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)Inovação tecnológica permite que cadeirantes fiquem de pé, no ES (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)