MULHER MARAVILHA DAS CORRIDAS, ELIETE SUPERA CÂNCER E SE INSPIRA NA HEROÍNA




Quando tinha 11 anos, Eliete Malta, atualmente com 43, foi diagnosticada com um tumor benigno e ficou curada com tratamentos contra o câncer infantil. Dois anos depois e com a saúde em dia, começou a fazer diferentes esportes com a turma da escola. Na época, a corrida fazia parte do aquecimento nas aulas. E começava ali, sem que ela imaginasse, o amor pela modalidade que a mudaria para sempre.
Eliete corria pelas ruas da cidade de Sumaré, na região metropolitana de Campinas, em São Paulo, onde morava e fazia parte de um clube. O talento para correr chamou a atenção e ela foi convidada a participar de um grupo de atletas amadores. Sua primeira prova foi em 2002. Alguns meses depois, a corredora disputou a tradicional Corrida de São Silvestre. No ano seguinte, Eliete deslanchou de vez e começou a subir nos pódios das provas.
– Fui me destacando em várias corridas e em várias cidades diferentes. Passei por duas grandes equipes em São Paulo e assim fui ganhando mais pódios. Hoje, tenho mais de 300. No universo das corridas eu sou a Mulher-Maravilha – brincou Eliete, que é professora de educação física.
Por trás do apelido existe uma história inusitada. Isso porque Eliete sempre subia no pódio com uma faixa na cabeça. Em 2006, ela correu a São Silvestre – de novo – e, após ter acabado a prova, colocou a medalha no pescoço e foi acompanhar um amigo que não estava tão bem preparado.
– Alguns me viram correndo com os homens e começaram a falar: “O que você está fazendo aí, pangaré. Sua prova já foi”. De tanto ouvir esses comentários, meu amigo ficou indignado, puxou a medalha do meu pescoço e falou que eu já tinha completado a prova feminina e correria o total de 30km. A multidão começou a gritar “É a Mulher-Maravilha!” – lembrou ela, com orgulho.
A notícia se espalhou pelos grupos de corrida da cidade e o apelido pegou. Eliete ganhou o traje da heroína dos quadrinhos, a sua personagem.
– Conheci meu marido nas corridas de rua. Nós éramos amigos e o esporte nos uniu. Quando namorávamos, ele disse para eu me vestir como a Maravilha. Ele produziu as fantasias, que eram os uniformes para as provas – explicou a atleta.
Nos pódios das provas que participa, Eliete leva a “cadela maravilha” em todas as oportunidades e faz sucesso, tirando muitas fotos com outros corredores. O marido também ganhou fantasia para entrar no clima. Ele virou o Super-Homem.
– Na véspera da Maratona da Disney, nos Estados Unidos, rodamos a cidade de Orlando inteira procurando uma fantasia para correr. Quando encontramos, pensei: por que o meu marido não poderia correr fantasiado? Buscamos como loucos a roupa do Super-Homem e viramos celebridades na prova. Viramos a família da Liga da Justiça nas corridas – brincou.
Superar os problemas da infância com a ajuda do esporte garantiu para Eliete um incentivo ainda maior para seguir em frente e confiante. Para a corredora, toda pessoa tem a capacidade de superar e alcançar os objetivos desejados. Basta começar e, claro, se dedicar com afinco.
– O que me faz feliz e me motiva são as mensagens que recebo das pessoas dizendo que sou inspiração pra elas, tanto na corrida, como na minha luta contra o câncer. Esse carinho que me motiva cada vez mais a correr. A fantasia virou minha marca registrada. Mas não somente pelo visual e sim pela superação dos problemas. O esporte pode curar todos os males – encerrou a atleta, que há 15 anos é voluntária de um centro de combate ao câncer infantil, em Campinas.
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