FOSFOETANOLAMINA

Vocês já devem ter ouvido falar sobre a fosfoetanolamina – também conhecida como a pílula da Usp ou a pílula do câncer. De uns tempos para cá as notícias sobre este remédio circularam pela internet e televisão. Algumas pessoas defendem, outras não. Antes de qualquer coisa, é importante saber um pouco sobre.
Fosfoetanolatemina ainda não é reconhecida oficialmente como remédio, pois não passou por testes em humanos. A pílula com essa substância sintética começou a ser estudada no Instituto de Química da USP em São Carlos, pelo pesquisador Gilberto Chierice, hoje aposentado. Foi distribuída para pacientes oncológicos por mais de 20 anos, mesmo sem testes. A distribuição está suspensa atualmente, por decisão judicial, mas passará por testes e no prazo de 6 meses, os pesquisadores deverão saber mais sobre os efeitos dessa pílula.No geral, há relatos de pessoas que usaram que dizem que funcionou, mas também relatos que dizem que a pílula não cura nada.
A pesquisa será realizada em pacientes e critério ainda será definido, no entanto, sem previsão quanto o início (ainda será necessário um consenso da Secretaria Estadual da Saúde,Ministério da Saúde e os pesquisadores da USP de São Carlos). No ínicio, 10 pessoas vão receber a substância. Se nenhum paciente tiver efeitos colaterais graves, o estudo continua. Serão separados 10 grupos de cada tipo de câncer, com 21 pacientes cada. Se pelo menos dois pacientes responderem bem, a pesquisa será ampliada. Progressivamente, a inclusão de novos pacientes continuará até atingir o máximo de 1 mil pessoas.

Infográfico - Fosfoetanolamina sintética (Foto: G1)
A Anvisa diz que é preciso comprovar a eficácia e a segurança do produto, e que os prazos dos estudos devem ser respeitados. Agora, o Instituto do Câncer de São Paulo vai começar os testes em pacientes. A produção da substância será feita por uma fundação.
O coro deveria ser no sentido de cobrar a eficácia e segurança do composto no ponto de vista científico, não de liberar; isso é uma inversão de valor”, diz.
Abaixo, ouvimos duas pessoas, filha e neta de quem tomou a substância — uma conta das melhoras na avó; outra, que a mãe não conseguiu sobreviver.
Fez efeito
“Droga da USP contra câncer fez minha avó desenganada voltar a viver”
“Ela vomitava demais, tinha muita diarreia e foi baixando de peso depois que começou a quimioterapia. Mas o tumor no intestino não diminuiu e o do fígado dobrou de tamanho. A médica falou que ela não teria nem um ano de vida; chorei muito”, lembra a enfermeira Fabricia Boni, 39, quando ouviu este ano que a avó estava desenganada.
A catarinense Lacy Cordeiro da Silva, 79, luta contra um câncer metastático que começou no intestino e hoje atinge o fígado, o pulmão e os gânglios linfáticos. Mesmo se submetendo a cirurgia e a quimioterapia, ela sofria com dores abdominais intensas porque um dos tumores praticamente fechou o intestino.
A idosa dependia da neta para se levantar e tomar banho e só conseguia se alimentar com duas colheres de sopa por dia. Passava o dia deitada no quarto e estava pesando apenas 29kg.
Sem saber o que fazer, Fabricia buscou na internet o que poderia melhorar a qualidade de vida da avó. Achou informações sobre a fosfoetanolamina sintética produzida na USP de São Carlos e optou pelo tratamento alternativo. Ela entrou na Justiça com pedido de liminar que lhe custou R$ 300 de honorários e um mês e meio depois um pacote de cápsulas com a substância chegou a sua casa em Curitiba (PR).
Segundo Fabricia, a saúde da avó, que abandonou a quimioterapia para tomar as cápsulas, começou a melhorar poucos dias depois de ela ter começado a tomar o composto diluído em iogurte e azeite. Dona Lacy voltou a comer, ganhou peso e agora fala bastante e quer “até dar umas voltas”.
“Em seis dias ela engordou, parou de sentir dor. Eu estou espantada, chorei de alegria. Ela se levanta, senta, toma banho sozinha. Só a ajudo a se trocar”, conta.
Questionada se não tem medo de efeitos colaterais, Fabricia diz que neste primeiro mês de uso da fosfoetanolamina dona Lacy não mostrou nenhuma reação adversa.
“Vamos supor que dê um efeito colateral daqui 10, 20 anos. Ela teria esse tempo de vida com a quimioterapia? Não. Já vi relatos de pessoas que ficaram curadas do câncer depois de dois anos tomando e sem ter efeitos colaterais”, afirma.
Não teve efeito
Minha mãe morreu tomando fosfo, mas ninguém me prometeu a cura
A professora Valda Rocha, que vive em São Carlos, viu a mãe morrer depois de começar a lhe dar o composto.
Clarice de Oliveira Rocha teve um câncer que começou no pâncreas e se espalhou para o intestino, estômago e fígado. Era 2003, quando a família descobriu a doença já em metástase, a idosa de 73 anos morreu em apenas uma semana.
Valda conseguiu as cápsulas diretamente com o químico Gilberto Chierice, do Instituto de Química de São Carlos, por intermédio de um amigo professor de química. Segundo Valda, Chierice a recebeu em sua sala do Departamento de Química da USP de São Carlos onde lhe deu um pequeno pacote com “umas cinquenta cápsulas em um saco plástico transparente, sem bula”.
O cientista fez perguntas sobre o estado de saúde de dona Clarice e não lhe prometeu a cura, conta Valda.
“Ele disse que talvez não tivesse efeito, deixou claro que era uma pesquisa experimental e pediu sigilo senão viria uma romaria de pessoas até lá para pegar as cápsulas e ele não teria condições de fabricar tantas”, conta.
Valda diz não saber se o composto foi ou não eficaz ou se a mãe precisava de mais tempo com o tratamento alternativo. Segundo ela, a mãe tomou cápsulas em apenas dois dias e depois morreu.
Valda voltou a procurar Chierice tempos depois para saber sobre o andamento da pesquisa, mas encontrou resistência do químico em falar “por conta da falta de comprovação científica”.
Fonte: Bem EstarUOL