Pais subestimam o problema de peso dos filhos

Muitos pais acreditam que seus filhos, aparentemente, são mais magros do que realmente eles são
Por Da Redação - Publicado 10/11/2014 - Atualizado 10/11/2014
Pais subestimam o problema de peso dos filhos
Pais geralmente são resistentes em estigmatizar seus filhos como “gordos”
Uma revisão de estudos publicada na revista Pediatrics revelou que dois terços dos pais subestimam o peso de sua prole. "O dado é preocupante, pois, em estado de negação, os pais não são capazes de reconhecer que seus filhos estão acima do peso, assim, eles não podem tomar as atitudes necessárias para prevenir ou tratar a obesidade”, avalia o pediatra Moises Chencinski.

Para chegar aos dados finais da meta-análise, os pesquisadores revisaram dados de 121 estudos que incluíram mais de 80 mil estimativas de peso de crianças e adolescentes, entre 2 e 19 anos, feitas por seus pais. Mais da metade dos pais de crianças com sobrepeso e obesidade subestimaram o peso dos filhos, como também o fizeram 14% dos pais de crianças com peso normal. Os pais tinham maior probabilidade de subestimar o peso de crianças entre 2 e 5 anos.
As razões para essa atitude não foram estudadas, mas os cientistas sugerem que os meios de comunicação apresentam uma imagem estereotipada de crianças com sobrepeso como severamente obesas e que isso distorce a compreensão dos pais. Outra hipótese é a de que os pais são resistentes a estigmatizar seus filhos como “gordos”. E há também os pais que simplesmente não acreditam que seus filhos possam estar acima do peso porque eles são fisicamente ativos e não têm problemas de saúde óbvios. "É nesses casos que o papel do pediatra é essencial, pois ele é o profissional de saúde indicado para corrigir a ‘falsa impressão dos pais’ e promover a adoção de hábitos saudáveis”, defende Chencinski.
O que as famílias podem fazer
O sobrepeso e a obesidade infantil são problemas de saúde significativos para as famílias e muitos pais se sentem sobrecarregados e angustiados com essa situação e não sabem por onde começar a ajudar os filhos. Segundo o pediatra isso é totalmente compreensível, dada a complexidade associada às causas e ao tratamento dessas condições.
“Há muitas coisas que as famílias podem fazer para promover um estilo de vida mais ativo e saudável e para apoiar uns aos outros com o objetivo de se manterem saudáveis. Por exemplo, elas podem se concentrar na criação de um ambiente familiar que incentive e apoie as escolhas alimentares saudáveis; podem comunicar-se regularmente com seu pediatra para entender melhor o que significa o percentual do IMC (índice de massa corporal) e podem também unir-se à comunidade na defesa de lanches mais saudáveis nas escolas”, enumera Moises Chencinski, membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).
Cada uma das opções abaixo pode impactar positivamente sobre o sobrepeso e a obesidade em crianças e / ou adolescentes:
- Comer 5 porções de frutas e vegetais por dia;
- Fazer pelo menos 1 hora de atividade física por dia (não precisa ser consecutiva);
- Limitar o tempo de tela (TV, tablet, celular) para menos de 2 horas por dia;
- Limitar o consumo de açúcar e de bebidas adoçadas;
- Tomar café da manhã diariamente;
- Optar por produtos lácteos com baixo teor de gordura;
- Fazer regularmente as refeições em família;
- Limitar as refeições fast food e as saídas para comer fora;
- Preparar os alimentos em casa;
- Comer uma dieta rica em cálcio e fibras;
- Aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e manutenção do aleitamento após a introdução de alimentos sólidos até os 12 meses de idade.
O que os pediatras podem fazer
Para Moises Chencinski, pais e pediatras podem formar uma parceria importante para a prevenção de sobrepeso e obesidade. “É uma ótima ideia para os pais manterem um contato regular com o pediatra do seu filho sobre nutrição adequada e atividade física. Além disso, o pediatra pode ajudar os pais, avaliando o risco da criança e monitorando seu IMC. O pediatra deve informar aos pais quando a criança está em risco de excesso de peso ou quando já está acima do peso ou obesa. Trabalhando em equipe com o pediatra do filho, os pais poderão identificar as melhores formas para que a criança adote e / ou mantenha um estilo de vida ativo e saudável”, defende o médico.