Meu amor não vê câncer’, diz mulher que está com marido desde 13 anos.

CASAL

“Cheguei em casa e ela tinha pego o resultado dos exames. Estava triste, abalada, abatida”, conta Fábio. “Eu achei que ia morrer”, lembra Mariana. Os dias seguintes não foram fáceis. Ele disse que não reconhecia a pessoa com quem havia se casado tanto tempo atrás, alegre, feliz, risonha. Ela achou que ele estava sendo insensível.
Hoje, Mariana não hesita em dizer que o marido é seu “grande incentivador”, ao lado do filho, de 24 anos. Quando raspou a cabeça, Fábio fez o mesmo. “Ele nunca me coloca numa situação de alguém que está doente. Até em relação às mudanças físicas. Antes do câncer eu tinha outra aparência, era magrinha, malhada. Com o tratamento, fiquei mais inchada. É um amor que não vê o câncer”, diz hoje a bioquímica Mariana Leone, de 41 anos. E foi com a ajuda do marido que Mariana recuperou a autoestima que ela achava que havia perdido junto com os cabelos.
“Ele foi fantástico na nossa primeira noite, a careca virou fetiche”, lembra Mariana. “Se era verdade ou não, me fez sentir muito bem”. Ela até hoje se recorda das palavras de Fábio na conversa que tiveram assim que receberam a notícia da doença: “Ou você escolhe viver o câncer com tristeza, e isso não vai funcionar, ou vai viver com alegria”, disse Fábio na época.
“A expressão câncer com alegria me marcou”, lembra Mariana. Tanto que ela criou umblog com esse nome para ajudar outras pessoas a enfrentarem a doença de uma maneira mais leve, e também se tornou palestrante. Para este Dia dos Namorados, os dois ainda não têm planos. “Por causa do tratamento a gente não pode se programar muito. Às vezes tenho enjoo, fico fraca, não consigo fazer nada. Pode ser uma saída para dançar ou simplesmente fuçar nas plantas, a gente inventa na hora”, diz Mariana. “É outro segredo nosso, não existe cobrança de ter que fazer tal coisa só por causa de uma data”, diz Fábio. “Não é um dia especifico, o amor é todo dia”. O tratamento continua, a doença ainda não está completamente curada, mas Mariana segue esperançosa ao lado do marido e do filho, que formam o que ela chama de um “tripé”. Os últimos dias foram bons, ela diz. “Meus cabelos estão começando a crescer”.